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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Siga o que seu mestre mandar.

Ao longo de sua carreira de físico teórico, Bohm destacou o fato de que, a despeito das pretensões de busca da ‘verdade’, o esforço científico sempre foi contaminado pela ambição pessoal, defesas rígidas de teorias e o peso da tradiçãotudo isso às custas da participação criativa na orientação dos objetivos científicos comuns. Baseado em parte em tais observações, Bohm afirmou que a maioria da humanidade havia sido aprisionada numa teia similar de intenções e ações contraditórias. A seu ver, tais contradições conduziam não a uma ciência de má qualidade, mas também a uma grande variedade de divisões sociais e pessoais. Segundo ele, essa fragmentação permeia todas as distinções culturais e geográficas e penetra em toda a humanidade, de tal maneira que nos tornamos fundamentalmente adaptados a ela.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O diálogo além das palavras.


Na superfície, o diálogo é uma atividade relativamente direta. Um grupo de quinze a quarenta pessoas se junta voluntariamente em círculo. Após alguns esclarecimentos iniciais sobre a natureza do processo, o grupo se defronta com a questão de como continuar. (...)

O diálogo é um processo de encontro direto, face a face, que não deve ser confundido com teorizações e especulações intermináveis. Numa época de abstrações cada vez mais rápidas e representações digitais sem emendas, a insistência em encarar a desordem inconveniente da experiência diária, corpórea, talvez seja a mais radical de todas as concepções.

sábado, 13 de novembro de 2010

Fala, Bohm.


A preocupação com incoerências aparentemente intratáveis do pensamento humano o levou a empenhar-se em pesquisas com pessoas cujos pontos de vista eram semelhantes aos seus. Entre elas, a mais proeminente foi o educador e pensador indiano Jiddu Krishnamurti.  O vídeo é um diálogo entre ambos.

O pensamento é gerado e mantido no plano coletivo.

Diálogo é um processo multifacetado, que vai muito além das noções típicas do linguajar e do intercâmbio coloquiais. É um método que examina um âmbito extraordinariamente amplo da  experiência humana: nossos valores mais intimamente arraigados; a natureza e a intensidade das emoções; os padrões de nossos processos de pensamento; a função da memória; a importância dos mitos culturais herdados; e, por fim, a maneira segundo a qual a nossa neurofisiologia estrutura a experiência do aqui e agora. (...)

No seu sentido mais profundo, o diálogo é um convite para pôr à prova a viabilidade de definições tradicionais do que significa sermos humanos e, no plano coletivo, investigar a perspectiva de uma humanidade mais digna.

É conversando que a gente se entende.

David Bohm em seu livroDiálogo, Comunicação e Redes de Convivência’, defende que, por meio dessas conversações, aprendemos a conviver uns com os outros e, especialmente, criamos novos mundos e evoluímos como espécie. Embora, particularmente, eu reconheça a importância das redes de conversações que se realizam por meio das mídias digitais, os encontros presenciais são o único caminho possível para se estabelecer o diálogo, que, na concepção de Bohm, é a corrente de significados que flui entre nós e por nosso intermédio

Sem a possibilidade de usar todos os sentidos, é quase certo de que o que teremos não é o diálogo, mas o debate e, ao invés da criação de novos mundos, a luta para defender visões de mundo particulares. Em certo sentido, é nesse estado que vivemos hoje, com o predomínio da discussão e da competição, em detrimento do diálogo e da colaboração. E o que se são pessoas tristes. Sem diálogo, as empresas se tornam depósitos de pessoas tristes, ao invés de fábricas de sorrisos.