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terça-feira, 30 de novembro de 2010
Busca de identidades, respeito pelas diferenças.
Num diálogo, modos diversos de pensar vêm de diferentes pressupostos e opiniões básicos. Em quase qualquer grupo, você provavelmente encontrará muitos pressupostos e opiniões diferentes dos quais não se dá conta num dado momento. É uma questão de cultura. Numa cultura há um vasto número de opiniões, as quais ajudam a construí-la. E há também subculturas, que são um tanto diferentes umas das outras, segundo os grupos étnicos ou situações econômicas, a raça, a religião ou milhares de outras variáveis. As pessoas chegarão e se reunirão, vindas de diferentes culturas ou subculturas, com diferentes pressuposições e opiniões. Podem não ter consciência disso, mas têm uma certa tendência a defender suas ideias pré-formadas e opiniões contra evidências de que elas podem não estar corretas. Ou simplesmente têm uma tendência a defendê-las contra alguém que apresenta outras opiniões.
Se defendermos nossas opiniões dessa maneira, não seremos capazes de dialogar. E muitas vezes fazemos isso inconscientemente. Ou seja, em geral, não o fazemos de propósito. às vezes podemos estar conscientes dessa defesa, mas na maior parte dos casos não estamos. Apenas sentimos que algo é tão verdadeiro que não podemos evitar a tentativa de convencer o outro - que julgamos tão estúpido - do quão errado ele está por discordar de nós.
O pensamento pode ser proprioceptivo?

Você tem a intenção de pensar, da qual em geral não se dá conta. Você pensa porque tem a intenção de pensar. Ela vem da idéia de que é necessário pensar, de que há um problema. Se você observar bem, verá que há uma intenção, um impulso de pensar. A seguir vem o pensamento, o qual pode dar origem a um sentimento, que por sua vez pode produzir outra intenção de pensar e assim por diante. Você tem consciência disso, e assim o pensamento surge como se estivesse chegando por si mesmo, e o sentimento parece vir por si próprio e assim por diante.
(...) O ponto fundamental da suspensão é tornar a propriocepção possível, criar um espelho, de modo que você possa ver os resultados do seu pensamento.
O significado de "propriocepção": a palavra “propriocepção” está relacionada com a transferência de informação para e através do sistema nervoso central, que por sua vez dá instruções ao músculo sobre o modo como deve contrair-se. Um proprioceptor é um receptor sensorial que detecta movimento e a posição do corpo ou de um segmento, respondendo com um incremento do estímulo sobre este. O sistema nervoso central (SNC) recebe e processa sinais destes receptores sensoriais para coordenar a posição e o movimento do nosso corpo e articulações.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
A consciência participativa.
O objetivo do diálogo não é analisar as coisas, ganhar discussões ou trocar opiniões. Seu propósito é suspender as opiniões e observá-las - ouvir os pontos de vista de todos, suspendê-los e a seguir perceber o que tudo isso significa. Se pudermos perceber o que significam todas as nossas opiniões compartilhatremos um conteúdo comum, mesmo se não concordamos completamente. Pode resultar que os conteúdos não sejam muito importantes - pode se tratar apenas de pressupostos. Mas se pudermos examinar todos eles, seremos capazes de nos mover de maneira criativa em direções diferentes. Poderemos simplesmente compartilhar a apreciação dos resultados: e dessa totalidade a verdade emerge sem se anunciar, sem que a tenhamos escolhido.
Se cada um de nós fizer a suspensão de pressupostos faremos todos a mesma coisa. Olharemos juntos. O conteúdo de nossa consciência será essencialmente o mesmo. Nessa ordem de ideias, será possível estabelecer entre nós um tipo diferente de consciência, uma consciência participativa - o que na verdade a consciência sempre é. Estabeleceremos uma espécie de consciência que seja reconhecida como participativa e possa continuar a sê-lo livremente. Tudo pode se mover entre nós. Cada pessoa participa, compartilha a totalidade dos significados do grupo e, ao mesmo tempo, faz parte dele. Isso é um diálogo verdadeiro.
A participação coletiva.
Tudo isso faz parte do pensamento coletivo - pessoas pensando juntas. Em algum momento, acabaremos por compartilhar nossas opiniões sem hostilidade, e então seremos capazes de pensar juntos. Por outro lado, se apenas defendermos opiniões, não o seremos. Um exemplo de indivíduos a pensar juntos seria o de alguém que tivesse uma ideia, outra pessoas a adotasse, mais outra lhe acrescentasse algo. O pensamento fluiria e sairíamos da situação habitual, em que as pessoas tentam persuadir ou convencer umas às outras. Acredito que se elas percebessem a se conhecer mutuamente, principiariam a compartilhar a confiança. Isso pode levar algum tempo. No início, você apenas entra no grupo e leva consigo todos os problemas da cultura e da sociedade. Assim, qualquer grupo é um microcosmo do social: há todos os tipos de opinião, os indivíduos não confiam uns nos outros. As pessoas conversam de um modo trivial e, a seguir, menos trivialmente. No começo elas falam sobre questões superficiais porque têm medo de ir além disso. Depois, gradualmente, ocorre a confiança mútua.
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